Os livros oficiais da Igreja! O que são os graduais (Romano e Simples)

 Talvez você já tenha se deparado em algum momento (ou até na minha postagem anterior) os termos Gradual Romano e Gradual Simples. E o que são eles? Esses são os livros de cantos oficiais da Igreja Católica Apostólica Romana de Rito Latino. 


Um breve histórico sobre o Gradual

Gradual é o livro do coro, coral ou Schola Cantorum (nomenclatura clássica em latim que significa escola de cantores). Gradus do latim significa degraus, e é onde ficavam os cantores para executar o Salmo Gradual, a qual atualmente não é mais usual, após o Concílio Vaticano II pois o Salmo Responsorial (que no lecionário e como fazem hoje em dia não tem forma responsorial, mas isso falaremos outro dia em outro post) o substituiu, mas nada impede de se ainda utilizá-lo conforme indicado na IGMR (Instrução Geral sobre o Missal Romano), mas no Vetus Ordo ainda é obrigatório, seja ele cantado pelo coro em uma missa cantada ou recitada pelo padre na missa rezada.


Originalmente o Missal (livro do sacerdote, que eram anteriormente chamado de sacramental), continha as orações e tudo que o celebrante precisava como as leituras e até os cantos. Com o passar dos séculos acabou-se por dar muitas dessas funções de canto para as Scholas Cantorum, com isso fez-se necessário separar as partes cantadas em um livro a parte que posteriormente chamamos de Gradual.


A primeira publicação oficial pelo Vaticano de um Gradual (Romano) foi em 1908, a pedido do papa São Pio X. E após o concílio Vaticano II, o qual pediu no número 117 da Constituição sobre a Sagrada Liturgia SACROSACTUM CONCILIUM "Procure terminar-se a edição típica dos livros de canto gregoriano; prepare-se uma edição mais crítica dos livros já editados depois da reforma de S. Pio X. Convirá preparar uma edição com melodias mais simples para uso das igrejas menores."


Ou seja, após o concílio quando se reformou a liturgia, reformou-se os livros litúrgicos (com isso o Lecionário foi criado, separado do missal do padre, por exemplo) e o Gradual Romano de 1908 foi reorganizado para o Novus Ordo, a nossa missa das paróquias diocesanas normais. E a pedido foi criado o Gradual Simples com melodias mais simples para uso em Igrejas menores (justamente para uso em Igrejas menores é o subtítulo do Gradual Simples, que em latim é chamado Graduale Simplex: in usum minorum ecclesiarum).

 
Grauale Romanum

Graduale Simplex

Ambos os livros trazem melodias gregorianas, em notação quadrada (também chamada notação gregoriana ou notação vaticana por ter sido adotado pelo Vaticano) em língua latina, ou seja, Latim, a língua oficial da Igreja.

Veja o comparativo de uma antífona de entrada:
no Gradual Romano

no Gradual Simples

Podemos notar que a quantidade de notas (quadrados nas linhas e espaços - tetragrama) para cada sílaba é diferente no Gradual Romano temos muitas notas numa mesma sílaba, enquanto no simples temos em geral uma ou duas por sílaba.


Tá mas e agora? Como que vou cantar isso se não sei nem latim, nem ler partitura gregoriana? Não se preocupe com isso nesse momento, vamos aos poucos implementando e se for do seu desejo cantar o canto gregoriano autentico dos graduais lavará tempo (os monges na idade média demoravam 10 anos para decorar as antífonas, naquela época ainda não havia sido inventada a notação musical, não tinham gravações etc.), muitos trabalhos tem surgido com músicas modernas, composições em alguns estilos diferentes para os textos traduzidos dos graduais (farei uma postagem no futuro só referenciando trabalhos nessa linha), também adaptações das melodias originais do gradual simples, além de paráfrases como podemos encontrar no hinário da CNBB, por isso é bom conhecer as antífonas (pretendo falar mais só sobre elas em outro post) mas por enquanto é isso, ir aos pouco conhecendo e não se assustando com o termo GRADUAL que pode parecer como referência de alguma música.







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